Baixa produtividade quase nunca é falta de esforço
Antes de cobrar mais do time, vale olhar os quatro fatores que costumam explicar o resultado — e nenhum deles é dedicação.
Quando o resultado não vem, a primeira leitura costuma ser sobre esforço. O time está desmotivado, falta comprometimento, ninguém veste a camisa.
Às vezes é isso. Na maioria das vezes que já vimos, não é — e cobrar mais de quem já está correndo só acelera a saída das melhores pessoas.
Como a baixa produtividade se manifesta
- Equipe desmotivada.
- Processo ineficiente, com retrabalho e espera.
- Comunicação falha, com informação chegando pela metade.
- Resultado consistentemente abaixo do combinado.
Os quatro sintomas aparecem juntos, o que dificulta saber qual é causa e qual é consequência. Desmotivação costuma ser consequência.
Os fatores que mais pesam
Falta de trabalho em equipe
Quando as pessoas não trabalham em conjunto, a habilidade de cada uma rende menos do que renderia. O sintoma é a tarefa que atravessa três áreas e demora semanas, quando a execução em si levaria horas.
Processo que não foi desenhado
Muita coisa acontece por costume, não por decisão. Ninguém escolheu que o orçamento passa por quatro aprovações — foi se acumulando. Processo por sedimentação é o padrão em empresa que cresceu rápido.
Meta que não chega até a tarefa
A meta existe, está na apresentação do começo do ano, e não aparece em lugar nenhum no dia a dia de quem executa. O time não está ignorando a meta: ele não tem como saber se o que faz hoje contribui para ela.
Trabalho manual que não deveria ser humano
Copiar dado de um sistema para outro, montar o mesmo relatório toda semana, cobrar prazo um a um. Não é falta de produtividade — é gente ocupada com o que não exige gente.
Como montar o plano de ação
- Escolha um processo, não a empresa toda. Plano que ataca tudo não muda nada.
- Meça o estado atual. Quantos dias, quantas horas, quantas voltas. Sem isso você não vai saber se funcionou.
- Defina o dono. Melhoria sem responsável volta ao normal em três semanas.
- Estabeleça um prazo curto para a primeira revisão. Trinta dias mostra se a direção está certa.
- Só então pense em ferramenta. Ela acelera o que já funciona; não substitui a decisão.
Empresas raramente falham por falta de estratégia. Falham na execução dela. O plano bonito e a operação real são dois documentos diferentes na maioria das empresas — e é no segundo que o resultado acontece.